Domingo, Maio 10, 2009

Desassossego

"Nós nunca nos realizamos.
Somos dois abismos - um poço fitando o céu"
Fernando Pessoa, na "Pessoa" de Álvaro de Campos - Livro do Desassossego


Somos tão íntimos. Somos tão desconhecidos que aquilo que nos aproxima ao mesmo tempo nos separa. Acho que tememos o óbvio porque sabemos o que vai acontecer. Essa certeza que atiça e apavora porque traz consigo também uma incerteza. E de incertezas estamos fartos. Que elas fiquem nas obras de Kafka. Aqui, entre nós dois, tudo o que precisamos é do certo. E certo agora é de que ainda não é a hora. Vivemos no desassossego. Ainda não envelhecemos o bastante para viver essa história. Quem sabe na próxima estação?

(Irrita-me profundamente ouvir sua banda favorita tocar no carro lá fora enquanto escrevo. Malditas coincidências!)

Domingo, Maio 03, 2009

Notas de um domingo

Todo domingo me sinto personagem dos quadros de Edward Hopper

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Para mim o Flamengo é como aquela pessoa que você não sabe nada sobre ela e mesmo assim sente total antipatia.

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Estranho voltar para casa.

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Não há como perder a capacidade de assombro com a ignorância alheia.


Vitrola: Bob Dylan - Beyond Here Lies Nothin'

Domingo, Abril 26, 2009

Coffee Break

Uma xícara de café consumida diariamente é capaz de fazer de uma pessoa dependente da bebida, dizem os cientistas.


E de você, quantas doses diárias foram necessárias para que eu não desejasse outra coisa senão em seu aroma, calor e sabor?


Testando a dependência da bebida, dividiram voluntários considerados dependentes em dois grupos, sendo que um deles recebia descafeínado e o outro, café normal. Depois de três dias a queda do desempenho nas atividades rotineiras e nas propostas pelos pesquisadores foi visível e acompanhada de cefaléia, tontura e tremores.


Como dormir ou passar pelos seus caminhos sem por um momento não pensar em sua ausência? Como concentrar em outro assunto senão em possíveis reencontros casuavelmente forjados? Como não sentir taquicardia quando o telefone toca ou um novo e-mail chega?


No final da pesquisa os mesmos cientistas concluíram que bastam seis dias para que o organismo “esqueça” a cafeína e volte a realizar suas atividades longe dos vícios.


Faz cinco dias. Então, só para você não se preocupar, volto em dois dias. Vou ali tomar um café.


Vitrola: God Help The Girl – Come Monday Night


Sexta-feira, Abril 24, 2009

Hiato

É que eu precisava de um tempo. Só um pouco de tempo...


Vitrola: Explosions in The Sky - First Breath After Coma

Terça-feira, Março 17, 2009

Alegria

"Simplesmente eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar. Por enquanto tu olhas para mim e me amas. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo."
Clarice por Maria


Maria Bethânia recitando poemas e cantando em pleno fim de manhã de terça é presente para não esquecer. Ela disse coisas bonitas, como o prazer de compartilhar o que nos comove. E eu me comovi hoje. E vim compartilhar.



Quinta-feira, Fevereiro 05, 2009

Onde mora a ternura

Amaba las dulces canciones,
Ella era una dulce cancion!
Neruda, o Pablo

Vitrola: Elliott Smith - Ballad of Big Nothing

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Trato

“Já passaram dias, inteiros
Janeiros, calendário que nunca chega ao fim
Início sim e só recomeçar.”

Janeiros – Roberta Sá e Pedro Luís

Acredite. Nada que eu diga aqui é novidade. Inédita, só a revelação desse sentimento guardado até hoje com todo cuidado que demandam as paixões platônicas. Tentei mantê-lo em sigilo por mais tempo. O que eu não sei agora é o que dizer.

Adiantei, poupo-me a falar da angústia que esse bem querer provoca. Ou da hora alegre e miserável que antecede sua chegada. Os olhos que se iluminam quando você aparece. Depois, não me lembrar de mais nada. Num instante desapareces. Fico aqui ou no travesseiro tentando reconstruir todos os nossos passos. Concluo que devo ter dito bobagens ou agido estranhamente. Questiono se você percebeu esse nervosismo ou se simplesmente me considerou uma tola.

Ah, façamos assim. Finja que não ouviu minhas palavras que finjo não as ter dito. Nem explicar, nem entender. Fico com a tolice e a esperança de não ligar para isso e continuar a nos encontramos mais tarde onde a batida dos corações dá o ritmo dessas madrugadas insones.

Vitrola: Giulia e Los Tellarini - Barcelona