Fernando Pessoa, na "Pessoa" de Álvaro de Campos - Livro do Desassossego
(Irrita-me profundamente ouvir sua banda favorita tocar no carro lá fora enquanto escrevo. Malditas coincidências!)
Uma xícara de café consumida diariamente é capaz de fazer de uma pessoa dependente da bebida, dizem os cientistas.
E de você, quantas doses diárias foram necessárias para que eu não desejasse outra coisa senão em seu aroma, calor e sabor?
Testando a dependência da bebida, dividiram voluntários considerados dependentes em dois grupos, sendo que um deles recebia descafeínado e o outro, café normal. Depois de três dias a queda do desempenho nas atividades rotineiras e nas propostas pelos pesquisadores foi visível e acompanhada de cefaléia, tontura e tremores.
Como dormir ou passar pelos seus caminhos sem por um momento não pensar em sua ausência? Como concentrar em outro assunto senão em possíveis reencontros casuavelmente forjados? Como não sentir taquicardia quando o telefone toca ou um novo e-mail chega?
No final da pesquisa os mesmos cientistas concluíram que bastam seis dias para que o organismo “esqueça” a cafeína e volte a realizar suas atividades longe dos vícios.
Faz cinco dias. Então, só para você não se preocupar, volto em dois dias. Vou ali tomar um café.
Vitrola: God Help The Girl – Come Monday Night
"Simplesmente eu sou eu. E você é você. É vasto, vai durar. Por enquanto tu olhas para mim e me amas. Não: tu olhas para ti e te amas. É o que está certo."Acredite. Nada que eu diga aqui é novidade. Inédita, só a revelação desse sentimento guardado até hoje com todo cuidado que demandam as paixões platônicas. Tentei mantê-lo em sigilo por mais tempo. O que eu não sei agora é o que dizer.
Adiantei, poupo-me a falar da angústia que esse bem querer provoca. Ou da hora alegre e miserável que antecede sua chegada. Os olhos que se iluminam quando você aparece. Depois, não me lembrar de mais nada. Num instante desapareces. Fico aqui ou no travesseiro tentando reconstruir todos os nossos passos. Concluo que devo ter dito bobagens ou agido estranhamente. Questiono se você percebeu esse nervosismo ou se simplesmente me considerou uma tola.
Ah, façamos assim. Finja que não ouviu minhas palavras que finjo não as ter dito. Nem explicar, nem entender. Fico com a tolice e a esperança de não ligar para isso e continuar a nos encontramos mais tarde onde a batida dos corações dá o ritmo dessas madrugadas insones.
Vitrola: Giulia e Los Tellarini - Barcelona
"Quando eu nasci, um anjo torto, desses que vivem nas sombras disse, vai menina, ser gauche na vida"
"Quando eu nasci, um anjo torto, desses que vivem nas sombras disse, vai menina, ser gauche na vida"